quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Contos de Umbanda - Zé Pelintra e Exú




A noite estava quente e a lua cheia clareava as ruas do morro de Santa Teresa. É ótima para um jogo de buraco na rua quinze, pensou Zé Pelintra. Zé tomou um bom banho, passou o perfume que ganhou da moça da mercearia do Pai Antonio. Vestiu seu impecável terno branco, mas a noite estava muito quente então vestiu sua camisa branca de listras vermelhas. Calçou o sapato que ganhou de uma das meninas do cabaré de Maria Padilha. A moça tinha juntado dinheiro para aquele sapato por quase três meses para o presentear, era mais uma moça encantada pelo charme do famoso malandro de Santa Teresa. Mas, Zé não tinha nenhum interesse pela moça, entretanto nunca recusava um bom presente. Um sapato bicolor branco e vermelho as cores preferidas do famoso malandro de branco do Morro de Santa teresa. Diante do espelho deu seus últimos retoques, colocou seu chapéu panamá. Vendo que estava bem apresentado saiu em direção a mais um jogo com seus amigos da Rua Quinze.


Ao chegar à Rua quinze no início da tarde, sentou-se à mesa sorridente e confiante. O homem tinha uma sorte de dá inveja. Não tinha jogo que Zé perdia, dominó, buraco, bilhar ou qualquer outro o homem sempre ganhava. As vezes ele perdia de propósito apenas por diversão, ou por algum esquema com seus amigos. As horas foram se passando e a confiança de Zé aumentava a cada vez que ele ganha entre uma rodada e outra. Zé já tinha ganhando muito dinheiro e já estava cansado de ficar sentado. Retirou-se da mesa de jogo e seguiu para o final da rua onde acontecia uma roda de Samba. se tinha samba, tinha Zé no meio da roda. O homem dançou com uma moça e outra, as moças da roda faziam fila para dançar com aquele formoso negro de terno branco. Já era meia noite e para Zé a diversão só estava começando.


Sentou-se em uma mesa do bar do fim da rua e pediu uma garrafa de cerveja, para ver as mulheres do morro passar. Como um bom galanteador, não mexia com mulher casada, mas sempre que passava uma solteira e olhasse para seu Zé logo ele tirava o chapéu e dava seu sorriso maroto. Ascendeu um cigarro e ficou fumando.


Um homem alto de capa preta e cartola se aproximou da sua mesa e estendeu a mão dizendo:


“Boa noite! O senhor poderia me pagar uma cachaça?”


Seu Zé nunca recusava para um amigo ou estranho um de copo de pinga. O homem tinha um coração bom e tinha um jeito cortês de tratar a todos.


"Boa noite! Pois sente homi! Garibe! Trás uma garrafa de pinga aqui para nós!" O senhor está com fome?


O misterioso homem pegou a cadeira e sentou. Era estranho aquele homem usar uma capa preta e grossa naquele calor, mas para Zé se tratava de um homem de rua. Zé achou o homem estranho, mas não sentia medo. O homem fazia um barulho estranho, como se estivesse rosnando, não fedia, mas pelo contrário era um homem que tinha um cheiro bom. Apensar de sua aparência ser sombria, algo nele trazia paz.


"Eu gostaria de comer um prato de farofa com muita pimenta". Respondeu o homem misterioso.


Após alguns minutos garçom do bar trouxe uma garrafa de cachaça e um prato de farofa. O homem colocou em seu copo de cachaça uma pimenta e bebeu em um único gole. Em sequencia o homem comeu aquele prato com vontade, parecia não comer a muito tempo. Seu Zé simpatizou com o homem e ficaram bebendo até a uma da madrugada com o estranho de cartola.


"Garibe trás mais uma garrafa de pinga! Amigo, vamos para mais uma rodada de cachaça?" Perguntou Zé que estava curioso com relação aquele homem. Com pouco tempo de conversa ele percebeu que não se tratava de um homem de rua, mas algo nele o deixava curioso.


"Não, muito obrigado! Já tenho que ir embora."


"Tão cedo? Agora que a prosa estava começando a ficar boa. Pois está bem. Me diz seu nome então."


O homem deu uma risada alta e macabra, seu Zé sem entender sentiu vontade de rir também.

"Pode me chamar de Exú"

E em um piscar de olhos o homem de cartola sumiu. Seu Zé não entendeu, não sabia dizer foi a cachaça ou se era o sono. Mas o prato e o copo ainda estava na mesa, então aquele homem esteve ali. Mas como ele sumiu? Seu Zé olhou para todos os lados,mas não o encontrou. Então Seu Zé se levantou da mesa e volto para casa.

Sobre a Magia da Umbanda


O blog Magia da Umbanda tem como objetivo trazer uma variedade de informações sobre umbanda e assuntos relacionados. Não somos pessoas que tem anos de experiencia com a religião, mas somos como muitos que estão inciando na religião em busca de conhecimento. E todo conhecimentos que adquirimos em nossa caminhada com nossos guias, livros, artigos ou até mesmo em nosso blog nós vamos compartilhar com vocês. 

Originalmente a Magia da Umbanda é uma loja virtual que trabalha com artigos religiosos, estamos levando um novo conceito sobre  loja de produtos de umbanda. Trabalhamos com a personalização de uma diversidade de produtos. Estaremos regularmente postando nossos trabalhos neste blog, quem desejar adquirir tais produtos poderá entrar em contato conosco. Atualmente a Loja Magia da Umbanda é somente virtual, mas estamos trabalhando pela loja física em São Paulo. 

Antes de tudo não estamos aqui para mudar a umbanda, mas evoluir como ela nos ensina. 

Axé!

sábado, 26 de março de 2016

Como surgiu a umbanda? História da umbanda - Fundador Zélio Fernandinho de Moraes

Não se pode falar de umbanda sem deixar de falar de seu fundador, Zélio Fernandino de Moraes. Um médium, assim como Allan Kardec, foi escolhido para divulgar a religião aos homens.



Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de abril de 1891,no  Rio de Janeiro no município de São Gonçalo. Aos 17 anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas da Marinha, de repente começou a mudar sua forma de falar, totalmente diferente de um jovem rapaz, mas que lembrava de um senhor com bastante idade, em tom manso e com um sotaque que não era comum de sua região. 



A família achou que fosse um princípio de loucura e logo o encaminhou ao seu tio e médico psiquiatra, Dr. Epaminondas de Moraes. Após exames e observações, nada foi encontrando. Então, o doutor sugeriu à família que o mandassem para um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava Zélio estivesse possuído pelo demônio. O padre após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.



Passado algum tempo Zélio ficou mais doente chegando ao estado de paralisia, nenhum médico conseguia explicar as razões de sua doença e muito menos sua cura.  Tempos depois em um ato surpreendente Zélio se levantou da cama e disse: "Amanhã estarei curado".



E como foi dito, no dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar sobre sua milagrosa cura. Então a mãe de Zélio, o levou Zélio a uma benzedeira muito conhecida em sua região. Esta senhora tinha como seu guia um espírito de um preto velho chamado Tio Antônio. O espírito Tio Antônio benzeu o rapaz e disse a Zélio sobre sua missão de caridade na terra.



O Pai de Zélio de Moraes, não sendo um praticante do espiritismo, seguiu a sugestão de amigos  para levar seu filho ao centro espírita. Então no dia 15 de novembro de 1908, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Ao chegar na Federação e Zélio e seu pai foram convidados pelo dirigente da Instituição para se sentarem a mesa. Antes de começarem, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa, contrariando as normas do lugar. Ao iniciar, de repente, começou uma estranha confusão no local, Zélio incorporou um espírito e simultaneamente outros médiuns presentes também incorporam caboclos e pretos velhos.


O dirigente do trabalho começou a advertir os médiuns e de imediato a entidade incorporada em Zélio o perguntou:




"- Porque repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"



Um dos médiuns do lugar viu a luz que o espírito irradiava e perguntou:



"- Porque o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?"


Ele responde:



- “Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre 

todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."


O médium ainda pergunta:



- “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?"



Novamente ele responde :



- “Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."




Então, no dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 – Neves – São Gonçalo – RJ, aproximadamente as 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita, parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos.


Pontualmente as 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto :



- “Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo".



Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, o Caboclo das sete Encruzilhadas determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda.


Caboclo das Sete Encruzilhadas
O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras:


- “Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem nas horas de aflição, todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos àqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai."


Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas  fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas: 

  • Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia;

  • Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição;

  • Tenda Espírita Santa Bárbara;

  • Tenda Espírita São Jerônimo.

  • Tenda Espírita São Pedro;

  • Tenda Espírita Oxalá;

  • Tenda Espírita São Jorge;

Zélio trabalhou por 55 anos, entregou a direção da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.
Mas Zélio junto com sua esposa continuou trabalhando  e fundaram a Cabana de Pai Antônio no distrito de Boca do Mato, município de Cachoeira do Macacú no Rio de Janeiro. Os trabalhos foram dirigidos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos no dia 03 de outubro de 
1975.

Zeus, Claudio. Livro: Umbanda Sem Medo. Autor: